Cidades

CENA 1: CONDADO

Acampamentos levantados. Barracas de plástico preto içadas no mar de cana. A desterritorialização da lavoura familiar e a retomada do solo. Os brincantes da tradição rural brindando “Pra puá, pra puá / Fazer mizura e dançar.” O homem da mata que procura os caboclos e acolhe as copas das árvores, corta cana no facão.
Corta!

CENA 2: GOIANA

Mais um novo viaduto sobre a BR-101. Sombra para homens e calangos. Sobre o asfalto, novos Jeeps para a América e África do sul, montados no quintal. A tradição operária. A traição açucareira. O cimento para a nova proposta de concreto. Cidade estratégica no repertório econômico de Pernambuco. Na história, revoluções. No presente, uma perene ebulição. No ar… combustão.
Corta!

CENA 3: GLÓRIA DO GOITÁ

Cidade da Mata Norte que alimente os sonhos de crianças de todas as idades em todos os cantos do mundo com os encantos de seus mestres fazedores de bonecos e brincantes de mamulengo, Glória do Goitá é também rica na tradição do Cavalo Marinho. Em 2018 é a cidade que entra para o circuito da Mostra Canavial de Cinema.
Corta!

CENA 4: VICÊNCIA

A sombra do pé da serra abrigou o espirito de liberdade, alimentou a coragem das negras e negros aquilombados. Na entrada da vila, busto de Zumbi dos Palmares, nas ruas, casas e praças um povo que trás como pedra fundamental de sua história a palavra liberdade.
Corta!

CENA 5: SÃO VICENTE FERRER

São Vicente Ferrer é terra úmida, o que se planta lá , colhido será. Cana, café, uva e banana.. teatro, poesia, cinema e música. Do alto do cruzeiro o horizonte se espicha e o clima esfria, a melhor pedida é contemplar a beleza despretensiosa do ritmo da bela cidade que é São Vicente Ferrer.
Corta!

CENA 6: TRACUNHAÉM

Balas de borracha. O engenho prado sobre açoite. A carranca de barro que não afugenta o spray de pimenta. No centro. O leão de trança vendido na calçada. O ofício de oleiro. As unhas com terras. As sambadas. Os b-boys. As quebradas.
Corta!

CENA 7: LAGOA DO CARRO

Nas proximidades do leito do Rio Tracunhaém, no profundo das matas sombrias daquele vale e ao redor de uma lagoa o povoado se fez cidade, de um acidente fez seu nome, na tapeçaria seu alicerce e com o museu da cachaça sua fama.
Desce mais uma!
Corta!

CENA 8: NAZARÉ DA MATA

O Cumbe. Os que sobreviveram com cambindas. O maracatu que persiste em seu terreiro. O massacre do acampamento Camarazal, porque as armas não atiraram rosas. A luta contra o latifúndio e a opressão, contra a terra, o trabalho, o homem e o pão. O labutar ticoqueiro. O desafio de mestres num pé de parede. A calunga como proteção.
Corta!