Cidades

CENA 1: CONDADO

Acampamentos levantados. Barracas de plástico preto içadas no mar de cana. A desterritorialização da lavoura familiar e a retomada do solo. Os brincantes da tradição rural brindando “Pra puá, pra puá / Fazer mizura e dançar.” O homem da mata que procura os caboclos e acolhe as copas das árvores, corta cana no facão.
Corta!

CENA 2: GOIANA

Mais um novo viaduto sobre a BR-101. Sombra para homens e calangos. Sobre o asfalto, novos Jeeps para a América e África do sul, montados no quintal. A tradição operária. A traição açucareira. O cimento para a nova proposta de concreto. Cidade estratégica no repertório econômico de Pernambuco. Na história, revoluções. No presente, uma perene ebulição. No ar… combustão.
Corta!

CENA 3: TRACUNHAÉM

Balas de borracha. O engenho prado sobre açoite. A carranca de barro que não afugenta o spray de pimenta. No centro. O leão de trança vendido na calçada. O ofício de oleiro. As unhas com terras. As sambadas. Os b-boys. As quebradas.
Corta!

CENA 4: LAGOA DO CARRO

Nas proximidades do leito do Rio Tracunhaém, no profundo das matas sombrias daquele vale e ao redor de uma lagoa o povoado se fez cidade, de um acidente fez seu nome, na tapeçaria seu alicerce e com o museu da cachaça sua fama.
Desce mais uma!
Corta!

CENA 5: NAZARÉ DA MATA


O Cumbe. Os que sobreviveram com cambindas. O maracatu que persiste em seu terreiro. O massacre do acampamento Camarazal, porque as armas não atiraram rosas. A luta contra o latifúndio e a opressão, contra a terra, o trabalho, o homem e o pão. O labutar ticoqueiro. O desafio de mestres num pé de parede. A calunga como proteção.
Corta!

CENA 6: VICÊNCIA

A sombra do pé da serra abrigou o espirito de liberdade, alimentou a coragem das negras e negros aquilombados. Na entrada da vila, busto de Zumbi dos Palmares, nas ruas, casas e praças um povo que trás como pedra fundamental de sua história a palavra liberdade.
Corta!

CENA 7: ALIANÇA

De corpo fechado o caboclo de lança segue, com cravo da boca. Atiça a lança com destreza, tanto quanto o cabo da enxada. O Cruzeiro da Bringa. O flamular das fitas coloridas para São Benedito. A Lagoa Seca à indicar a direção do foco. O azougue de todas as chãs.
Corta!

CENA 8: SÃO VICENTE FERRER

São Vicente Ferrer é terra úmida, o que se planta lá , colhido será. Cana, café, uva e banana.. teatro, poesia, cinema e música. Do alto do cruzeiro o horizonte se espicha e o clima esfria, a melhor pedida é contemplar a beleza despretensiosa do ritmo da bela cidade que é São Vicente Ferrer.
Corta!